1 de março de 2011

Se antes eu sofria de ansiedade, agora sofro a falta dela.



Sem vontades de ninguém.
Enquanto as amigas inquietam-se
com o telefone que não toca,
com a mensagem que não vem,
ela não sente nada além de uma
tranqüilidade estranha e plena.
Enche a boca de conclusões obvias para
uma menina da maturidade dela e o
estômago com bolo de maracujá e chá de maçã.
Cheia de antibiótico.
Clindal AZ 500 é o seu nome.
Será que aqueles três comprimidos
alteraram sua disposição para o querer amar?
Ou melhor, para querer ser amada, ao menos desejada?
Ouvidos bem tampados, graças a Deus. Ela envergonha.
Estava achando a cidade muito tranqüila e calma.
O catarro entupiu as vias,
permitindo um silêncio duradouro e dolorido.
Latejante assim fazendo-me concluir que a coitada
escutou tanta merda esta semana, que foi isso...
Adoeceu.
“Merda!” É um superlativo fofo para o
fim de semana prolongado na cama!

Foi assim, uma vez sozinha no cinema
basta para querer ir sempre só.
Histórias impróprias para quem sofre de solidão,
mas ela não sofre desse mal.
Só, sabe que a fase é mesmo de perdas e
conformada como está, ganha peso.
Todos os que perdeu desde a separação.
Come bolinhos de arroz e de chuva sem ressaca moral.
Acha normal. Quase tudo.
É para ela um “tudo bem” insuportável
numa fase delicada ao olhar do próximo.
Ignora as recomendações de todos e dos guias.
Aliás, odeia avaliações alheias,
estrelinhas, satisfações dos outros.
Precisa ver para crer,
sentir na pele .
Quer sentir seus arrepios que até então eram da febre.
Sem cessar.
Foi um mar de filmes.

Iniciou-se com El Passado e passou bem mal com Gael.
Ele é lindo e come todas.
Ela quer um Gael só pra ela.
Aplaudiu Babenco. Agradeceu.
Entendeu boa parte dos erros que
ainda não chegou a cometer.
Pensou então, será que não amou de menos?
Culpou-se.
Queria ter sido inconseqüente.
Mas o que esperar de uma menina
que ainda não mandou ninguém pra
“Putaq’eupariu”, nem um “Vaitomarnoseucu” ela foi capaz.
Ela apenas sorri e quando alguém realmente a magoa,
reativamente seu corpo não quer mais se encontrar
com o corpo daquela pessoa. É simples assim.
Independe do seu ser racional. Chega ao físico.
Assim como a saudade. Desiste.

Seguiu em frente com Sexy and the City e confesso,
seus lábios esticaram pouco em frente a TV.
Achou de um feminismo machista chato.
Vai entender...