13 de outubro de 2010

CARTA
.

AN,
Vulgo Sr. 43,
Três pensamentos sublimes povoaram-me esta manhã gritando assim:

1. A saudadinha será controlada, ou melhor, confiscada.
Colocada numa caixa de papelão (que sujam as pontas dos dedos),
depois na estante da lavanderia.
Lá será esquecida, irremediavelmente.

2. Ele não deve desviar-se por ela, mas dela.
Pretensiosamente.

3. Ela achou gostoso encontrá-lo de madrugada.
Foi suficientemente imoral para seus padrões.
E de verdade, tem achado bom quebrar as regras de conduta.
(é uma fase de perdas & ganhos – meio à Lya Luft, já leu?)
Agora encontra-se de ressaca, do vinho de antes, d água e dele.
Questionando sua realidade exposta absurda e necessária.
Este papel normalmente é dela,
que sofre de um mal intenso de sinceridade. Roubou-a!
Precisava? Rs.
Sei que sim, ficamos assim então, “bebezão”...
Ainda bem que já tem alguém cuidando de ti e
que com este alguém há uma troca.
As falhas são todas iguais, para sempre.
Não acho indiferente.
É só uma fase de encantamento, que vai passar.
Você já deve saber disso, afinal, já tem 43...

Bj
H:R
- que se diverte enquanto você trabalha ou ainda
se diverte, mas não com ela. Jamais!
SERIALEBANAL.




Primeira dúvida cruel de um lindo dia nove de sol:

Dá para ser experiente e não ser rodada?

Segunda dúvida infiel de um lindo dia de sol anterior ao dia dez:

Vamos brincar de roda-roda-roda?

Terceira dúvida infeliz de um dia agora nublado posterior ao fatídico oito:

Deveríamos permanecer vestidos?

Ela só dorme.
Ela não sonha.
Mantém tudo sob controle.
Domina.
Domínio.
Acha.
Até ser desmascarada num café da manhã.
Foi tarde.
Logo depois das dez.

Queria sentir o infinito na ponta dos pés.
Borbulhas e fervuras de mim.

Procuro uma caneta ou um lápis,
mas eles nunca estão por perto
quando minhas idéias vêm à tona,
numa euforia de criança em frente à roda gigante.
Padeço com todas elas dentro de mim.
Uma atrás da outra, em fila indiana.
Ansiosas e ociosas, todas em banho-maria.
Cozinhando a mim mesma.

Se eu tivesse uma caixa de lápis de cor,
sairia desenhando por aí.
Rabiscando muros brancos por pura sorte.
Escrevendo entre as passarelas, os transeuntes, os carros.
Dentre toda sujeira, poemas, poeira e lágrimas.

Ele diz que eu gosto dessa minha melancolia.
Mal sabe que não sem nem viver de outro jeito.
Mau jeito, bem feito pra mim.
Mereci.
Bobeei.
Quase larguei.
Cai.
E guardei tudo aqui por dentro.
Também em fila indiana,
assim como as boas idéias.
Em banho-maria, cozinhando-me.

Fazendo fumaça.
Fazendo graça.
E tudo de graça.

Porque não posso controlar meu pensar.