Quando vens, poesia
Somos só eu e tu.
Equilibramo-nos na corda bamba
Para não cair no abismo onde habita a morte dos poetas.
Porque, se vens, poesia
Os relógios se equivocam
e as horas se acertam em segundos.
Porque só mergulhada em ti, poesia
eu me banho em existência.
Quando vens, poesia
O mundo encontra órbita,
a frivolidade, óbito.
Vem sempre assim, amada!
Vem apenas se quiseres,
Se não puderes te conter!
E deixai que eu morra seca, faminta
Se não desejares vir.
Deixai que eu ande desertos
procurando por palavras belas
enquanto decides se vais voltar a mim e ser só
minha poesia.
Porque quando nos casamos, poesia
Eu já sabia que não serias corriqueira
eu já sabia que eras cara e não tão cotidiana
E, talvez, nem tão minha
Mas não tenho outra liberdade
se não esperar por ti aflita.
Se vens, poesia
Meus dias são milhares de sóis
Minha saliva é fonte eterna
Minhas mãos atravessam todos os seios
E todas as minhas roupas são cobertas de flores.
Vens como estação de semear
E me deixas esperando colher eternidade.
23 de agosto de 2009
Maldita expectativa!
Vai minando aos poucos as iniciativas.
Tolhendo a liberdade silenciosamente.
Criando delírios decorrentes de uma espera inquietante
Maldita expectativa
É viver dia após dia à beira de um colapso,
Achando que todo passo pode ser em falso
E toda palavra um poço de areia movediça.
Maldita expectativa
Aquela luz outrora brilhante torna-se enevoada,
Obscurecida por estórias fantásticas e inventadas
Que conduzem a um beco sem saída.
Maldita expectativa
Depósito de crenças infundadas e sonhos frustrados
Sensação de abandono, sem ter sido abandonado,
É você se ver perder o rumo de si mesmo
Enquanto a vai vida passando bem diante dos seus olhos...
(Janaína pereira)
Vai minando aos poucos as iniciativas.
Tolhendo a liberdade silenciosamente.
Criando delírios decorrentes de uma espera inquietante
Maldita expectativa
É viver dia após dia à beira de um colapso,
Achando que todo passo pode ser em falso
E toda palavra um poço de areia movediça.
Maldita expectativa
Aquela luz outrora brilhante torna-se enevoada,
Obscurecida por estórias fantásticas e inventadas
Que conduzem a um beco sem saída.
Maldita expectativa
Depósito de crenças infundadas e sonhos frustrados
Sensação de abandono, sem ter sido abandonado,
É você se ver perder o rumo de si mesmo
Enquanto a vai vida passando bem diante dos seus olhos...
(Janaína pereira)
Não entendo
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Clarice
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Clarice
A lucidez perigosa
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa actual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
Clarice
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa actual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
Clarice
Acho impressionante a sua capacidade de simplificar a vida,
Ter sempre a resposta, achar a saída pra qualquer problema.
Não há dilema que tire seu sono, seu sossego.
Esse desapego eu invejo e desejo, pois vejo quão leve tudo passa a ser.
E brigo comigo mesmo no intento de me libertar
De um certo egoísmo que aprisiona e cega, e esfrega na cara as mentiras que inventa
Pra distrair meus olhos do que devo ver.
Mas se eu estiver atento não há o que temer.
Posso ficar submerso nesse amor imenso, sem me afogar...
Mesmo quando parece que vai dar tudo errado
Olho pro lado e lá está você
Sempre sorrindo, achando tudo lindo, tudo engraçado.
É fato que meu dia-a-dia seria bem chato sem você por perto.
É certo que eu seria menos completo.
E se meu peito hoje está aberto é porque você está dentro.
Cuidando de mim do seu jeito, assim meio disperso.
Mesmo a distância, muito presente. No corpo, na mente,
Num recado que você me deixe...
Assim, mesmo sentindo sua ausência, tenho tranqüilidade.
Como é complexo esse sentimento chamado saudade...
(Janaína pereira)
Ter sempre a resposta, achar a saída pra qualquer problema.
Não há dilema que tire seu sono, seu sossego.
Esse desapego eu invejo e desejo, pois vejo quão leve tudo passa a ser.
E brigo comigo mesmo no intento de me libertar
De um certo egoísmo que aprisiona e cega, e esfrega na cara as mentiras que inventa
Pra distrair meus olhos do que devo ver.
Mas se eu estiver atento não há o que temer.
Posso ficar submerso nesse amor imenso, sem me afogar...
Mesmo quando parece que vai dar tudo errado
Olho pro lado e lá está você
Sempre sorrindo, achando tudo lindo, tudo engraçado.
É fato que meu dia-a-dia seria bem chato sem você por perto.
É certo que eu seria menos completo.
E se meu peito hoje está aberto é porque você está dentro.
Cuidando de mim do seu jeito, assim meio disperso.
Mesmo a distância, muito presente. No corpo, na mente,
Num recado que você me deixe...
Assim, mesmo sentindo sua ausência, tenho tranqüilidade.
Como é complexo esse sentimento chamado saudade...
(Janaína pereira)
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