16 de setembro de 2009

Gosto de poesia. Mas a outra.
A poesia de que gosto é o que as poesias me provocam: é o que se parece com lágrimas sublimadas e me enche num soar de sílabas, num unir de palavras inventadas umas para as outras.

A poesia de meu gosto é aquilo que nao se sabe ser frio ou quente e que vai nao se sabe se na espinha ou no estomago como uma estrela cadente na virada repentina da música, ou quando o cantor pronuncia a palavra diferente. Uma palavrinha.

Poesia boa é, na viagem, encostar a cabeça na janela do carro e respirar, por ali mesmo, os novos ares que estao por vir, como se só o passar veloz das árvores verdes e o permanecer pacífico do céu azul já fossem suficientes para trazer tais ares.

Poesia mesmo é ter amigo. Amigos sao tao rudes(de várias formas) e, por vezes, tao desinteressantes. Mas aquela afobaçao que nao sabem esconder diante de qualquer esboço de lágrimas do amigo é poética, porque sentem que isso lhes dói mais do que se tivessem culpa.

E eu gosto dessa poesia que é o vento batendo no rosto, enquanto caminho só. E canto.

Gosto é dessa poesia amarga que me fala de todos os metros quadrados nos quais eu gostaria de estar, enquanto sei que estarei em poucos deles- mesmo querendo a rima de todos os lugares que existem.

Abraço de mae tem outra poesia: voce está escondido, sente que nada vai mudar, e se sente confortável assim mesmo.

Sorriso de irmao é poesia escrita em dialeto. Só eles sabem ler.

Poesia pode até ser tardia, como conselho de pai. A forte poesia. Mas que só se sabe ler depois de ter lido várias- e consultando o dicionário.

A outra poesia é o segundo antes do beijo, é a cabeça rodando antes de dizer o que vai dizer, é ver futebol torcendo de verdade, é pisar o chao depois dos piores sapatos, é uma surpresa azul, é um filme que eu nunca conseguiria bolar e- por que nao?- uma boa prosa em preto e branco que eu traduzo para poesia verde e vermelha, para as cores que eu bem entender...

Hayge reis (fb)
O que trago de melhor em mim te ofereço
minha atenção, meu respeito, meu apreço
carinho e sinceridade...
e sou inteiramente honesta quando digo que não disponho mais do que curtos espaços de tempo
tempo corrido, que me é tão caro.
datas indefinidas, idas e vindas, encontros e despedidas.
te ofereço o momento exato em que podemos estar juntos...
não tenho promessas a fazer, nem o que cobrar
não quero dividir, apenas somar
o meu amor e o seu...
quando e como tiver que acontecer.

(Jana)

o ciúme é a vespera do fracasso e o fracasso promove o desamor...