twittadas
Caetano já dizia que Narciso acha FEIO o que não é espelho.
Bexiga tem GPS... qto + perto do vaso, maior a vontade de mijar.
Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor"
Eu engulo comprimidos apenas com a saliva.
Vou indo. Já fiz minha fotossíntese twittal de hoje, refleti bastante sobre os objetivos do seguir e ser seguido.
6 de julho de 2009
denúncia secreta de um crime explícito

socorre! que eu já não posso mais com esses apelos
com esses apelos insanos de tão coloridos, apetitosos de vistosos.
que é demais pra mim tanto imperativo,
que é uma honra ao mérito de nada.
não posso mais com esses apelos que são maiores do que eu
são altos, altíssimos out-doors que anunciam,
que me denunciam pequeno a um mundo.
me manipulam com as massas
como massa de modelar,
modelos me dizem do que eu preciso
que eu preciso é de não ser.
socorre! que a cabeça 'tá virada, colorida, angustiada
que eu preciso comer do X e vestir do Z
mas eu preciso é de comer e vestir
(e de vestir nem tanto que faz calor...)
e "ai" é dizer que eu preciso de menos, de simples
porque é cafona demais estar perto de mim
e longe dos nomes que escondem nomes de homens.
>
>
socorre! que ser voz que clama no deserto já não é forte
e a voz não é infinita- só pode ecoar.
e é forte a mentira que contam
sobre quem tem os quês e não os quens
e omitem que quem sucumbiu às súplicas suculentas
não exibe dentes brancos
e pediria todo seu dinheiro de volta
se estivesse sete palmos acima.
>
>
se metem a crimes de tortura perpétua
abafando o fúnebre finale.
>
>
se o caso é de precisão
precisa-se de muito menos fora
e de muito mais dentro.
mas o sofisma convence
porque é menor esforço dar um papel e ser uma pessoa
do que construir uma pessoa com os tijolos dos dias.
>
>
socorre! que a mentira da vez é só porque
também colei um alfabeto inteiro de letras coloridas
e um portfólio de muito sorridentes imagens
bem em cima da minha identidade.

socorre! que eu já não posso mais com esses apelos
com esses apelos insanos de tão coloridos, apetitosos de vistosos.
que é demais pra mim tanto imperativo,
que é uma honra ao mérito de nada.
não posso mais com esses apelos que são maiores do que eu
são altos, altíssimos out-doors que anunciam,
que me denunciam pequeno a um mundo.
me manipulam com as massas
como massa de modelar,
modelos me dizem do que eu preciso
que eu preciso é de não ser.
socorre! que a cabeça 'tá virada, colorida, angustiada
que eu preciso comer do X e vestir do Z
mas eu preciso é de comer e vestir
(e de vestir nem tanto que faz calor...)
e "ai" é dizer que eu preciso de menos, de simples
porque é cafona demais estar perto de mim
e longe dos nomes que escondem nomes de homens.
>
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socorre! que ser voz que clama no deserto já não é forte
e a voz não é infinita- só pode ecoar.
e é forte a mentira que contam
sobre quem tem os quês e não os quens
e omitem que quem sucumbiu às súplicas suculentas
não exibe dentes brancos
e pediria todo seu dinheiro de volta
se estivesse sete palmos acima.
>
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se metem a crimes de tortura perpétua
abafando o fúnebre finale.
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se o caso é de precisão
precisa-se de muito menos fora
e de muito mais dentro.
mas o sofisma convence
porque é menor esforço dar um papel e ser uma pessoa
do que construir uma pessoa com os tijolos dos dias.
>
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socorre! que a mentira da vez é só porque
também colei um alfabeto inteiro de letras coloridas
e um portfólio de muito sorridentes imagens
bem em cima da minha identidade.

Estamos todos bastante neuróticos, é verdade.
Estamos mergulhados e nos afogando em questões e mais questões que nós mesmos criamos, quando aprendemos a criar.
Dispendemos toda nossa energia lutando contra dragões inventados por nós.
E quando já temos entretenimento para esquecer isso tudo,
alguém se lembra de si e nos lembra
de que estamos bastante confusos.
Estamos nos sentindo culpados e amarrados
e nos sentimos culpados até por não nos sentir culpados.
Achamos tanta coisa um absurdo,
sem nos lembrar de que o absurdo mesmo somos nós
e essas regras que fabricamos acerca de absurdos.
Estamos atormentados por tanta insegurança e tão sem sono.
Nossos olhos se preocupam em se grudar.
Condenamos inocentes e morremos culpados.
Detestamos mais de mil coisas
e detestamos muito mais não ter mais de mil mãos.
Somos incapazes de uma confissão completamente verdadeira aos nossos convives,
mas discursamos extensas teorias a respeito da verdade para a multidão.
Nos alegramos como cães por satisfações voláteis,
recorremos a mil artifícios de vida útil desprezível,
colecionamos relacionamentos substituíveis...
Não temos a menor condição de lidar com a alma pura, alma em si.
A inocência da alma nos é demasiado pesada,
e preferimos acreditar piamente que precisamos da vulgaridade da matéria.
Não sabemos lidar com o oco do Homem.
Recebemos a Covardia, como se seu nome fosse Proteção.
Ignoramos cada dia um pouco mais, na medida em que as informações chegam a nós.
Nos apressamos sempre e estamos sempre atrasados.
E, no auge de nossa loucura, procuramos por Deus, nos aproveitando do que é invisível para acreditar que vemos.
Estamos tão pressionados e neuróticos porque fazemos mal no simples estar imóvel
e corremos sério risco de não fazer bem nos movendo.
Estamos surpresos, na verdade,
são muitos fatos inacreditáveis,
são tantos compromissos inadiáveis,
são vidas surpreendentes adiadas.
Já não sabemos o que é absoluto.
E descobrimos ainda que, em casos extremos, o absoluto ainda se torna relativo.
E tudo tão duro que as pessoas estão ali e nós as amamos,
mas nem com essas cremos que ainda seja possível ser inteiros.
Atacamos pra nos defender.
Atacamos sempre pra nos defender de tão indefesos. Pobrezinhos.
As montanhas não se defendem de vento,
mas nós até do menor sinal de brisa.
Fingimos que há propósito no que não faz o menor sentido.
Fingimos bastante, aliás.
Aceitamos todo cinza por puro medo de preto
e nos despedimos patéticos do verde e do vermelho.
Não exigimos ética por duvidar na nossa própria.
Choramos sobre caixões de desconhecidos justamente porque perdemos 365 chances por ano de conhecê-los.
E não falo de sociopatas, ou de monstros, vamos ser francos.
Falo de ser pessoa.
Eu encontrei-a quando não quis
mais procurar o meu amor
e quando levou foi pra eu merecer
antes um mês e eu já não sei
e até quem me vê lendo jornal
na fila do pão sabe que eu te encontrei
e ninguém dirá
que é tarde demais
que é, tão diferente assim
o nosso amor
a gente é quem sabe, pequena
ah, vai me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
a fim de te acompanhar
e se o caso for de ir a praia
eu levo essa casa numa sacola..
eu encontrei-a e quis duvidar
tanto clichê
deve não ser
você me falou
pra eu não me preocupar
ter fé e ver coragem no amor
e só de te ver
eu penso em trocar
a minha tv num jeito de te levar
a qualquer lugar
que você queira
e ir onde o vento for
que pra nós dois
sair de casa já é
se aventurar
ah vai me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém
afim de te acompanhar
e se o tempo for te levar eu sigo essa hora
eu pego carona
pra te acompanhar
momento Ultimo romance!
música do los hermanos ...me toca.(coisa linda e real)
mais procurar o meu amor
e quando levou foi pra eu merecer
antes um mês e eu já não sei
e até quem me vê lendo jornal
na fila do pão sabe que eu te encontrei
e ninguém dirá
que é tarde demais
que é, tão diferente assim
o nosso amor
a gente é quem sabe, pequena
ah, vai me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
a fim de te acompanhar
e se o caso for de ir a praia
eu levo essa casa numa sacola..
eu encontrei-a e quis duvidar
tanto clichê
deve não ser
você me falou
pra eu não me preocupar
ter fé e ver coragem no amor
e só de te ver
eu penso em trocar
a minha tv num jeito de te levar
a qualquer lugar
que você queira
e ir onde o vento for
que pra nós dois
sair de casa já é
se aventurar
ah vai me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém
afim de te acompanhar
e se o tempo for te levar eu sigo essa hora
eu pego carona
pra te acompanhar
momento Ultimo romance!
música do los hermanos ...me toca.(coisa linda e real)

toda vez...
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Quaquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude
O solitário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão
.)
Eu já sei da culpa que eu tenho de mim. E constato surpresa que, apesar do incrível, ser culpado de si traz alívio estonteante.
É um abuso de alívio colocar sobre seus ombros os seus fardos. Tirá-los dos ombros do mundo.
Antes o seu próprio peso do que a leveza que há em qualquer medida de culpa alheia; se saber réu e libertador de si mesmo; digerir seus absurdos como um homem que se alimenta de sólido e não de leite.
A culpa que eu tenho de mim vem do fato de eu viver de mim mesmo. Me nutro só da folhagem e dos frutos que caem de mim para o solo, quando eu as sugo de volta como se fossem novidade. Nada me ilumina, nada me aduba a não ser a arte e seus sopros. Mas, se a arte sou eu, dá-se minha culpa completa.
Se não consigo acordar, se durmo durante as querências do mundo; se grito onde não se vê motivo de fúria, o culpado não pode ser ninguém, senão eu.
Porque nunca me sentei na roda do mundo e não posso acusá-lo de mim; recusei solenemente a cada um de seus convites e me vinguei de cada uma de suas gentilezas de modo que, já desmanchada, eu não possa ser nada além de mim, que sou meu tudo.
Não é possível a força que há na indolência da culpa própria e eu me espanto.
Se a culpa de tudo fosse da mãe que me concebeu, ou do pai que ainda não me concebe; aí sim o peso pudesse talvez tornar-se insuportável. Mas eu respiro em alívio por já saber quem é culpado.
Recai sobre mim toda a responsabilidade de me ser e me purifico como se em água tão limpa e leve e barulhentazinha feito só uma água inquieta.
Eu, culpado de mim, acordo mais acordado; respiro meus próprios pulmões; cumprimento com reverência meu próprio espírito e gero em mim só o receio de qualquer acusação: os culpados dos meus réus são eles? Ou sou eu?
É um abuso de alívio colocar sobre seus ombros os seus fardos. Tirá-los dos ombros do mundo.
Antes o seu próprio peso do que a leveza que há em qualquer medida de culpa alheia; se saber réu e libertador de si mesmo; digerir seus absurdos como um homem que se alimenta de sólido e não de leite.
A culpa que eu tenho de mim vem do fato de eu viver de mim mesmo. Me nutro só da folhagem e dos frutos que caem de mim para o solo, quando eu as sugo de volta como se fossem novidade. Nada me ilumina, nada me aduba a não ser a arte e seus sopros. Mas, se a arte sou eu, dá-se minha culpa completa.
Se não consigo acordar, se durmo durante as querências do mundo; se grito onde não se vê motivo de fúria, o culpado não pode ser ninguém, senão eu.
Porque nunca me sentei na roda do mundo e não posso acusá-lo de mim; recusei solenemente a cada um de seus convites e me vinguei de cada uma de suas gentilezas de modo que, já desmanchada, eu não possa ser nada além de mim, que sou meu tudo.
Não é possível a força que há na indolência da culpa própria e eu me espanto.
Se a culpa de tudo fosse da mãe que me concebeu, ou do pai que ainda não me concebe; aí sim o peso pudesse talvez tornar-se insuportável. Mas eu respiro em alívio por já saber quem é culpado.
Recai sobre mim toda a responsabilidade de me ser e me purifico como se em água tão limpa e leve e barulhentazinha feito só uma água inquieta.
Eu, culpado de mim, acordo mais acordado; respiro meus próprios pulmões; cumprimento com reverência meu próprio espírito e gero em mim só o receio de qualquer acusação: os culpados dos meus réus são eles? Ou sou eu?
Querido diário,
Hoje, enquanto eu voltava pra casa cantando,
estacionou ao meu lado uma borboleta, que resolveu ainda me acompanhar por todo o trajeto restante. Ela cantou comigo.
Daí, eu jurei também acompanhar uma lagarta
rastejando quando eu tiver asas amarelas.
Porque a lagarta vai olhar pro lado e depois pro
alto e, nesse instante, ela vai cantarolar baixinho
uma canção que vai compor sobre o céu, desejando estar lá, por já ter visto asas.
Hoje, enquanto eu voltava pra casa cantando,
estacionou ao meu lado uma borboleta, que resolveu ainda me acompanhar por todo o trajeto restante. Ela cantou comigo.
Daí, eu jurei também acompanhar uma lagarta
rastejando quando eu tiver asas amarelas.
Porque a lagarta vai olhar pro lado e depois pro
alto e, nesse instante, ela vai cantarolar baixinho
uma canção que vai compor sobre o céu, desejando estar lá, por já ter visto asas.
Conteúdo e Forma
ou
comes e bebes
Profundos hão de ser os sentidos de quem recebe a palavra inteira. E quem come palavra sem molho dispensa palavras complexas, foie gras e scargot.
Sonoras hão de ser as canções de quem se derrete em pura melodia-ritmo bebendo um poema. E quem se embriaga de palavras dispensa pedra de gelo e boceja ante métrica e mililitros.
Conteúdo e forma.
Conteúdo: quem contém o quê.
Forma: um poema toma a forma do recipiente.
ou
comes e bebes
Profundos hão de ser os sentidos de quem recebe a palavra inteira. E quem come palavra sem molho dispensa palavras complexas, foie gras e scargot.
Sonoras hão de ser as canções de quem se derrete em pura melodia-ritmo bebendo um poema. E quem se embriaga de palavras dispensa pedra de gelo e boceja ante métrica e mililitros.
Conteúdo e forma.
Conteúdo: quem contém o quê.
Forma: um poema toma a forma do recipiente.
Eu, outro dia me lembrei de você,
Ouvindo uma canção que pudesse dizer
Como eu, como tu, como velhos tratantes
Como velhos amigos, como velhos perigos,
Como grandes amantes nos poucos instantes de amor
Eu, outro dia me esqueci lentamente,
Ouvindo a razão na palavra de ordem corrente
E que eu, e que tu, e que todos os passos,
E que todos os beijos, e que os longos abraços,
Faxina

Joguei fora o que era de lixo.
Dei a César o que era de César.
Batom com batom
Música com música
Perfume com perfume
Vestido com vestido
Fotografia com as lembranças
e cartas com o amor.
Poemas com poemas.
Mal se passou um dia inteiro
e os batons
as músicas
os perfumes
os vestidos e as fotos,
tudo
já estava, de novo,
cheio de poemas.
E agora, que medo é esse?
Medo de me deixar gastar pelos intemperismos irrefreáveis desses tempos,
Medo de escorrer de mim e ficar tão rasa
até me confundir com ausência;
com matéria vaga, errante, tão indefinida;
vencida pelo mundo, entregue à cruz do "em volta".
Medo de, depois de ausência, ser inexistência e só.
(e que patético não ser nem o que não é.)
E, logo agora,
vem de onde essa vontade de me caçar
como se caça borboletas?
(que bom seria me assistir com rede na mão e pés no chão correndo pelo campo...)
Descortino a grande vida de minhas moléculas
e as agarro com obstinação para que não evaporem.
Que lástima ficar rasa logo agora!
Valha-me Deus
que essa intermitência apavora.
Que medo de ser fumaça que abandona o fogo. Tão
leviana e néscia!
Me deixei lixar por quem pediu,
achei que me livrar da aspereza fosse conforto.
Depois, ainda quiseram me polir
e eu sorri para aquele verniz artificial.
Por conseguinte, me lapidaram
e logo agora percebo que - lamento, lamento! -
percebo que tenho vergonha deste resultado
tão lapidado no anti-espelho.
E agora, Maria?
E agora, todos os Josés?
Respondam-me todos os meus ourives:
Quem de vocês pode tornar bruta a pepita já derretida
escorrendo de si?
ó vento, ó chuva, sol, montanhas...
ó humanos, seus gastadores de retina e de almas,
Deixem-me!
Que eu quero é ser um poço de mim...
Quando vens, poesia
Somos só eu e tu.
Equilibramo-nos na corda bamba
Para não cair no abismo onde habita a morte dos poetas.
Porque, se vens, poesia
Os relógios se equivocam
e as horas se acertam em segundos.
Porque só mergulhada em ti, poesia
eu me banho em existência.
Quando vens, poesia
O mundo encontra órbita,
a frivolidade, óbito.
Vem sempre assim, amada!
Vem apenas se quiseres,
Se não puderes te conter!
E deixai que eu morra seca, faminta
Se não desejares vir.
Deixai que eu ande desertos
procurando por palavras belas
enquanto decides se vais voltar a mim e ser só
minha poesia.
Porque quando nos casamos, poesia
Eu já sabia que não serias corriqueira
eu já sabia que eras cara e não tão cotidiana
E, talvez, nem tão minha
Mas não tenho outra liberdade
se não esperar por ti aflita.
Se vens, poesia
Meus dias são milhares de sóis
Minha saliva é fonte eterna
Minhas mãos atravessam todos os seios
E todas as minhas roupas são cobertas de flores.
Vens como estação de semear
E me deixas esperando colher eternidade.
-Vê se sobrou um pouco
Daquele pó de café
Do pó que acorda os Homens?!
Vê, por favor, se ainda tem
Daqueles rostos refletidos n’água
Dos homens refletores em estádios
Dos reflexos dos truques mágicos.
Vê ainda se sobraram
Aquelas horas perdidas
Olhando as estrelas
Que eu quero perdê-las.
Confere se está no fim,
Mas me dê
As últimas gotas, que sejam,
Do amor mais folgado
Que toma todos os ares e ruas e cidades
Que faz baixarem os olhares, enquanto cora as faces.
Dá cá que eu faço rios dessas gotas!
Ainda tem daquela música meiga
Que fala de alegria,
Não viu a leviandade e
Arrepia cada paralelepípedo da velha cidade?
Vê, pra mim, por gentileza,
Se teve fim aquela felicidade
Que só um balão vermelho podia carregar
E só uma baiana faceira podia cantigar.
Olha aí se tem combustível bastante
Se tem jeito, ou se tem defeito
A minha máquina de voltar.
Vê ainda se há
Livros, mundos
Palcos, públicos
Liras, músicos
Almas fundas
E olhos rasos.
Vê se encontra
Aquele amiúde desmanche
Que dá na boca bolo de vó
Que dá no corpo beijo de amor
Que dá na alma aroma de flor
Entorna vida palavra escrita!
Escorre pelos meio-fios,
Derrete descendo os postes,
Desfila pelos parques,
Inunda secos regos,
Afaga tensos nervos...
Vê se falta muito Opções de postagem
Pra onde a poesia alcança
Se sobra pouca abastança
Há pouco furtada aos espíritos
Há muito derramada em danças.
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