17 de setembro de 2009


Não consigo mais dormir direito. Nem quando posso me desligar dessa coisa ridícula que chamamos de tempo. Quando não há compromissos, fico brincando de pique-pega com meus pensamentos. Essa cidade não descansa, foi o que desejei. Não vejo o horizonte e não respiro direito. Ouço uma sinfonia aleatória e olho pela janela para ver o labirinto armado. Olhando para São Paulo de uma considerável altura, parece até que meus problemas ficam menores. Dormir importa?
Sou uma mulher decidida, segura e forte, mas fico de TPM, choro que nem uma criança, e também preciso de colo...
Sou transitória, não sou confiável. Gosto de uma idéia, depois não gosto mais. Não posso esperar, precisa ser agora. Se eu pensar demais, vou desistir. Preciso que a passagem seja de última hora. Detesto o preço, mas que se foda. Estou sentada, preciso levantar. Estou de pé, preciso sentar. Coca-cola, vodca, vodca, vodca, vodca. Só o álcool permanece o mesmo. Não te abandono, copo. Te alimento, encosto. Mesmo que guarde meus segredos, me deixe vulnerável e me faça sentir coisas que não tem o menor cabimento. Sou ímpar, azar. Não quero que dependam de mim, não quero que me esperem ou que digam que está na hora. Só é hora quando eu falar que é. Me perco, mas continuo. Os pés com sangue, a boca seca. Só faço o que eu quero, não obedeço ninguém. Sem limites, vivo um dia de cada vez. Dou risada de mim mesma, zombo da minha contradição. Sou ridícula, tão encantadora. Não quero dar conselhos, apenas oferecer reflexões. Não sou exemplo, sou anormal. Só tenho conseguido dormir depois que amanhece.

O mundo inteiro acordar e a gente dormir.