11 de junho de 2010

A o desespero.

Aos poucos.
Sinto-me forte.
Decididamente forte.
Perdôo tudo e não esqueço nada.
E ainda levo o nosso rancor para
passear aos domingos pela manhã
num parque qualquer.

Me divirto com a pequena idéia imaginária
e ordinária dos poucos que acharam
que o peso era muito grande para mim.
Que zombaram de mim.
Riram.
E torceram-me contra.

Contra o quê?
Você!
O que queres de mim?
Meus rins?

Estou bem aqui.
Levando o piano nas costas, literalmente.
E sem reclamar da dor.
Os analgésicos fazem-a passar lentamente.
E os exames médicos tentam nos explicar
o que ninguém quer saber.

Nada.

As semanas passam rápidas.
E eu sinto-me a cada dia que passa, mais forte.
Decididamente forte.

A morte de Haygereis.

Resolvi morrer.
Porque com a dor que eu sentia, não poderia escrever.
Não me aliviaria, nem a ti.
Nem a ninguém.

E já percebi que de tempos em tempos eu me deleto.
Por inteiro.
E não sobra nada.
Pra mim nem para você.
E eu realmente não sinto nada.
Só sinto muito.

Depois passa.
Mais rápido e veloz que as horas.
E de repente, me sinto de novo pronta a recomeçar.
Forte.
Com os dois pés pra trás.

Ação e reação.

Diversas vezes tenho vontade de jogar do alto do prédio,
do décimo terceiro andar, tudo aquilo que nos restou.
Nada.

Diversas vezes tenho vontade de falar às pessoas tudo o que eu penso delas,
de dizer na cara as verdades enxergadas, as mentiras lavadas.
Palavras.

Diversas noites tenho vontade de vomitar o jantar,
de gritar, de chorar, de abraçar alguém bem forte, de colo, de útero, de mãe.
Desabafos.

Diversas vezes tenho nojo do Pronto- Socorro,
quero me lavar, me despir dos problemas, me anular por algumas horas.
Fuga.

Diversos dias me encontro em completo desespero,
deitada no chão da cozinha, gelado, de óculos escuro, sentindo o próprio pulsar.
Passa.

Diversas vezes olho para você e não vejo nada,
não quero nada e não posso te tocar.
Cegueira.

Diversas tardes chorei, chorei e chorei.
Lágrimas.

Diversas vezes busquei respostas nas histórias,
nos livros, nas palavras sábias.
Deus.

Diversas foram as vezes que eu desisti,
por poucas horas, não vi luz e quis você.
Amor.

Diversas serão as vezes que será preciso um recomeço,
aprender de novo a andar, a sentir todos os prazeres e todas as dores que o destino guardou pra nós.
Vida.

hoje pensei.eusou.

Gosto de desenhar ouvindo Caetano.
Correr ouvindo Lirinha em tom de denúncia.
E nadar em silêncio. Muitos dos meus problemas,
resolvo debaixo d´água.
Gosto de tomar uma cervejinha num bar qualquer para conversar
com você coisas que a gente não conversa em casa.
Funciona!
Odeio ir ao banco.
Odeio filas, nem mesmo as de restaurantes se salvam.
Impaciente confessa.
Faço compras de dez em dez itens só
para freqüentar a fila rápida e involumosa dos supermercados.
Sinto-me sempre, na maior parte do tempo, atrasada.
Tomo muito café e no trânsito, leio o jornal que está quase vencendo.
De tarde, como maçã. De manhã, mamão para fazer cocô.
Adoro! Observo as pessoas no ônibus.
Os esmaltes das pessoas. Cintilantes! Observo tudo.
Até me canso de olhar e de pensar em histórias melhores para contar.
Agora ando com caneta e papel, fazendo notas do mundo.
Desenhando uma trajetória melhor,
mais acessível e ao mesmo tempo, mais distante de tudo.
Nossos erros, meus remorsos, suas culpas, minhas desculpas.
Ando a colocar tudo no papel, pra ver se eu me encontro.
Me acho.
Me candidato ao meu próprio papel multifuncional
de ser apenas mais uma.
Hayge.

Ovos.

Depois de ver ao filme “As Melhores Coisas do Mundo” de Laís Bodanzky o que ficou na
minha cabeça foi a cena da mãe e filho quebrando ovos na parede da cozinha.
Sem dúvida chorei.
chorando por tudo e todos; mas também por me dar conta da fragilidade de nossas famílias.Somos feitos de casca de ovo.
Constituímos nossos lares com paredes brancas e frágeis.
Que se quebram facilmente. Se despedaçam em minúsculos pedaços
que ao juntarmos de novo, colarmos, jamais adquirimos novamente aquela forma perfeita.
Talvez porque não exista. E eu mesma já quebrei tantas vezes e não aprendo. Nem me arrependo.
Deixei meus pedaços pelo chão. O tempo tratou de me reconstituir.
Logo então, virei ovo de novo. E com outros frágeis e semelhantes
me acomodei numa casa feita sob medida para mim.
Vivemos em caixinhas de papelão que a cada dia ficam menores.
À perigo em qualquer instabilidade. E quer coisa mais instável do que o amor?
Não há! Que atire-se primeiro na parede o ser humano-ovo que
não sente o pavor do amor te fritando por dentro.
Há os que fogem dele, os que ignoram e outros que como eu, se jogam.
E seja o que Deus quiser! Sendo assim, elaborei a minha lista das melhores coisas do mundo.
Com amor.


Minha Kika.
Aguigo.
Meus gatos Fred e Gal.
Baronesa de Itu, ali no 2.
Cheiro de café.
O bolo de chocolate da minha mãe.
Meu avoRAI.
Meus micróbios.
Os amigos de sempre.
Os novos amigos.
Meus desejos noturnos.
Mc Lanche Feliz.
Bolinho de arroz do Ritz.
Sexo de manhã.
A segunda mesa do Alberta#3.
Os papéis para desenho.
Minhas tias.
Os travesseiros.
Domingos.
Macarrons.
Aniversário dos outros.
Jantares.
Você respirando.
Você me olhando.
Você me tocando.
Visitas inesperadas
Café.
Sol de outono.
Som de guitarra afinada.
O passado.
As cicatrizes.
As tatuagens.
Um presente.
Café da manhã de amanhã.
Nosso futuro.
E ovo quente.