Borbulhas e fervuras de mim.
Procuro uma caneta ou um lápis,
mas eles nunca estão por perto
quando minhas idéias vêm à tona,
numa euforia de criança em frente à roda gigante.
Padeço com todas elas dentro de mim.
Uma atrás da outra, em fila indiana.
Ansiosas e ociosas, todas em banho-maria.
Cozinhando a mim mesma.
Se eu tivesse uma caixa de lápis de cor,
sairia desenhando por aí.
Rabiscando muros brancos por pura sorte.
Escrevendo entre as passarelas, os transeuntes, os carros.
Dentre toda sujeira, poemas, poeira e lágrimas.
Ele diz que eu gosto dessa minha melancolia.
Mal sabe que não sem nem viver de outro jeito.
Mau jeito, bem feito pra mim.
Mereci.
Bobeei.
Quase larguei.
Cai.
E guardei tudo aqui por dentro.
Também em fila indiana,
assim como as boas idéias.
Em banho-maria, cozinhando-me.
Fazendo fumaça.
Fazendo graça.
E tudo de graça.
Porque não posso controlar meu pensar.
11 de janeiro de 2011
Arbitrariamente pensei em solucionar este caso de amor.
Um jura que amou demais,
se deu a mais, ensinou mais e foi mais feliz que o outro.
Outro, não diz nada.
Não acha nada, nem sente nada.
Só sente muito.
Está em choque e perdeu a fala.
Esqueceu-se de todas as trocas e dos pactos
que todo e qualquer casal feliz faz ao se apaixonar.
Perderam-se ali, em primeiro lugar,
os sonhos sonhados de todos os dias ou noites trocadas.
Na luz do computador,
ela não encontrou nada para sarar a dor.
Revirou a casa, procurando uma razão ao descompasso.
Enquanto o outro,
só achava linda a luz da TV azul refletida nela.
Sempre assim.
Eram quase platônicos.
Foi quando o castelo de areia na beira do mar,
que estavam fazendo para morar,
desmoronou antes da água bater.
Um vendaval passou levando alguns grãos de areia.
Foi o que bastou.
Ficaram sem alicerce.
Agora o casal passa os dias olhando para o céu.
Procurando os tais grãos de areia que
se perderam ao vento.
No universo.
Só estrelas.
Sem espaço nem tempo.
Um deles pensou em virar um passarinho
e sair voando sozinho.
Montar seu próprio ninho
numa árvore alta e distante de tudo.
Mas reconsiderou.
Já amou demais, se deu a mais,
ensinou mais e foi mais feliz que o outro,
para largar sua metade assim, ao meio.
Começo e fim.
Infinito.
Um jura que amou demais,
se deu a mais, ensinou mais e foi mais feliz que o outro.
Outro, não diz nada.
Não acha nada, nem sente nada.
Só sente muito.
Está em choque e perdeu a fala.
Esqueceu-se de todas as trocas e dos pactos
que todo e qualquer casal feliz faz ao se apaixonar.
Perderam-se ali, em primeiro lugar,
os sonhos sonhados de todos os dias ou noites trocadas.
Na luz do computador,
ela não encontrou nada para sarar a dor.
Revirou a casa, procurando uma razão ao descompasso.
Enquanto o outro,
só achava linda a luz da TV azul refletida nela.
Sempre assim.
Eram quase platônicos.
Foi quando o castelo de areia na beira do mar,
que estavam fazendo para morar,
desmoronou antes da água bater.
Um vendaval passou levando alguns grãos de areia.
Foi o que bastou.
Ficaram sem alicerce.
Agora o casal passa os dias olhando para o céu.
Procurando os tais grãos de areia que
se perderam ao vento.
No universo.
Só estrelas.
Sem espaço nem tempo.
Um deles pensou em virar um passarinho
e sair voando sozinho.
Montar seu próprio ninho
numa árvore alta e distante de tudo.
Mas reconsiderou.
Já amou demais, se deu a mais,
ensinou mais e foi mais feliz que o outro,
para largar sua metade assim, ao meio.
Começo e fim.
Infinito.
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