10 de novembro de 2010

Depois de dizer tudo o que lhe afligia.
De divagar sobre o tempo, sua falta dele, falhas.
Dos desejos incompreensíveis, dores, dinheiro, perspectivas...
Depois de passar horas delatando as pequenas impressões
que carregou durante um dia todo nebuloso, ele resolveu contribuir com
a falta de ar dela. Soltou-lhe uma frase fatídica como se fosse um balão de gás.

“Hayge, hoje você está muito apocalíptica”.

Colorida, ecoou.
Ela, delicadamente sorriu.
Usava preto, inclusive nos olhos prestes a borrar.

Tipo Apocalypse Now? questionou-o.
O filme de 79
realizado por Coppola?
Hein?

[agora ela ouve Beirut]