31 de julho de 2009

Cada decisão é uma loucura e somos muitos néscios sendo expulsos dos jardins edênicos diariamente por, entre deus e qualquer serpente, fazermos a escolha chã.

Preferimos rastejar, entoa o coro dos covardes. O medo é menor e morre-se maquinalmente de lentidão e cansaço; mas não se corre o risco de, no intento de voar, conhecer o opróbrio da queda diante do inferno materializado nos outros. Passamos, como peçonhentos marinheiros no rés do chão, a desdenhar de qualquer pássaro raro como um albatroz que, porventura, se nos apresente.

Entre um rastejo e um fastio, um dia se fez todo de susto. Eu, Adão assustado, transitando por entre turbas obscuras, me lembrava - por bom senso residual, ou grande desejo de esquecer- o que me dissera de coisas infindas, em tom ameno de voz, um albatroz-poeta, e reclamei de mim coragem.

E elevem-se todos os brados de recomeço nos portões dos Édens... mordamos suculentos frutos de poesia e brindemos muitas viagens por sobre os mares, sobre glaucos patamares...
Assim seja.